Será a Sustentabilidade uma forma de garantir a continuidade das empresas?

Atualizado: há 6 dias


Neste artigo, por meio de um enfoque bastante empresarial e estratégico, pretendo mostrar a você como a continuidade das empresas depende de ações sustentáveis.

Toda empresa, seja ela produtora de serviços ou bens, está baseada em um processo bastante básico:


  • Entradas: pessoas, recursos financeiros, matéria-prima, conhecimento, feedbacks.

  • Processo: como as coisas são produzidas

  • Saídas: um produto acabado, semiacabado (que será usado em outra empresa) ou um serviço).


Como garantimos a continuidade de nossas empresas?


A forma como vamos gerir esse processo é o que garantirá a continuidade do nosso negócio. A qualidade e a sustentabilidade devem estar inseridas em cada quadradinho do processo acima mencionado.


A qualidade varia de acordo com quem a percebe. É muito difícil de mensurar, e exige uma busca constante de entendimento e de melhorias.

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A sustentabilidade está relacionada a continuidade do negócio no longo prazo,

na gestão econômica (receitas, despesas e custos), no envolvimento das pessoas,

na gestão da cadeia de suprimentos, na produtividade.

Enfim, a sustentabilidade está relacionada a continuidade da empresa

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Podemos fazer uma analogia com o termo desenvolvimento sustentável, e dizer que a sustentabilidade da empresa está em pensarmos nas futuras gerações da empresa.

Ou seja, o que eu posso fazer hoje, para que a minha empresa possa continuar existindo no futuro? Como eu posso gerenciar os meus recursos, para garantir que eles ainda existam no futuro?

Aqui vale lembrar o conceito de recursos: tangíveis (dinheiro, pessoas, matéria prima, utilidades, etc.) os intangíveis (reputação, marca, conhecimentos etc.).


Desenvolvimento sustentável, de acordo com o relatório Brundlant 1 é: retirar da natureza o que precisamos para suprir as nossas necessidades pensando nas necessidades das futuras gerações.

Ora, na empresa é a mesma coisa. Precisamos gerenciar os nossos recursos para que eles ainda estejam lá para as próximas gerações da empresa.

Ter boas entradas, ter bons processos e ter boas saídas.

Mas a essa fórmula ainda precisamos incluir outro ingrediente. A forma como a empresa será gerenciada, ou governada. E novamente fazemos uma analogia ao termo Desenvolvimento Sustentável: se são os governos os responsáveis pela gestão dos recursos dos países (regiões), são os C-Suites os responsáveis pela gestão dos recursos das empresas. Simples assim!


Governança Corporativa


A governança é a forma como uma empresa é governada. Como ela é gerida. Aqui precisamos partir da premissa que toda empresa é criada por pessoas para atender às necessidades das pessoas. Assim, as pessoas se organizam para produzir algo (bem ou serviço) que irá atender a uma demanda da sociedade.


Hoje uma das maiores preocupações da sociedade civil gira em torno da inclusão social, equilíbrio ambiental, e continuidade das empresas.

Não vamos sair da crise econômica sem incluirmos as pessoas e sem cuidar do meio ambiente. Veja o raciocínio simples:


  • O meio ambiente fornecerá os recursos tangíveis (todos eles) necessários para que meu negócio continue existindo.

  • As pessoas precisam de dinheiro para continuar a consumir os produtos das empresas.

  • As empresas precisam de pessoas com conhecimento para integrarem seus processos produtivos.

  • As pessoas precisam de educação para integrarem os processos produtivos.

  • O meio ambiente possui grande influência na saúde das pessoas.

  • A empresa precisa de pessoas saudáveis.

  • As pessoas precisam de empregos para manterem sua saúde.

Podemos ficar aqui várias horas dando exemplos de como tudo está inter-relacionado.


Quem vai garantir o funcionamento dessa máquina é a governança. Sendo assim, na governança corporativa eu preciso incluir: as preocupações com o meio ambiente, com as pessoas e com o econômico.


Ambiente: vai garantir a sustentabilidade do meu negócio.

Um exemplo prático: Vamos imaginar que estou no setor de embalagens plásticas.

  • As entradas basicamente são: polímeros plásticos, água, energia, moldes, pessoas, e investimento financeiro. Temos que considerar aqui, a logística do transporte.

  • Processo: transformação dos polímeros em embalagens. Aqui há aquecimento e resfriamento (que é feito, na maioria das vezes, com água gelada). Os polímeros podem chegar coloridos ou serem tingidos durante o processo, dependerá do que se espera para o produto acabado. Pode haver ainda uma fase de rotulagem da embalagem.

  • Saídas: uma embalagem de qualidade, brilhante, transparente (ou não), resistente ... e outras variáveis, que mais uma vez mudará de acordo com a necessidade do produto acabado. Vamos incluir aqui a logística de entrega.

Mas além dessas saídas, há outras que, muitas vezes, esquecemos de contabilizar. Deste processo saem, ainda, resíduos da produção: pedaços de plásticos não utilizados, restos de tinta, restos de embalagem de matéria-prima, água utilizada no processo industrial, poluição do ar...


Como garantir a sustentabilidade deste processo?

Vamos pensar em sustentabilidade apenas como a continuidade do negócio, ok?


Mais um exemplo do raciocínio:


Entradas:

1.Matéria Prima

Qual a origem da matéria-prima que entra no processo?

É de uma fonte renovável ou não?

Sabemos que a origem do plástico é petróleo, então, até quando teremos matérias-primas baseadas no petróleo?


2. Energia

Qual a origem da energia?

É de fonte renovável ou a base de carbono?

Há uma grande pressão para que as fontes de energia deixem de ter origem fóssil. Se a energia do processo produtivo estiver baseada em fontes fósseis como queima de carvão, ou óleo, provavelmente esta fonte sofrerá uma sobretaxa que irá impactar nos custos. Ou, então, deixará de aproveitar benefícios financeiros que seja oferecido no uso de fontes renováveis de energia.


3. Água

Como está sendo utilizada a água nesse processo?

A água pode ser reutilizada?

Pode-se utilizar águas pluviais?

A água é um recurso escasso. Por isso, cada vez mais o mundo está de olho na forma como a água é utilizada.

Sabemos que 20% do consumo de água deve-se aos processos produtivos e 70% aos agronegócios. Veja que mais uma vez podemos estar falando sobre redução de custos. Quanto menos água eu tiver que comprar melhor para o meio ambiente e para redução dos custos.


4. Pigmentos

Qual a origem desses pigmentos?

Podem conter metais pesados ou produtos químicos que afetem a saúde humana e animal?

Se sim, não existe a preocupação deste produto ser descontinuado de uma hora para a outra comprometendo a continuidade e os custos da produção?


5. Finalmente, as pessoas.

Quem estou contratando?

Como estou impactando na vida dessas pessoas?

Será que elas estão dando o melhor de si no processo produtivo?

Como atrair uma mão de obra qualificada e motivada?

Qual o impacto de uma mão de obra não qualificada e não motivada no custo do meu produto?

Veja que estou olhando apenas o elemento ambiental, em uma fase do processo produtivo (entradas). Imagine que teremos que fazer isso também com o elemento social e econômico e em todas as fases do processo!


O meu próximo artigo será sobre o social, mas deixo aqui, algumas perguntas para sua reflexão:


1. Você conhece a origem de suas matérias-primas?

2. Como a descontinuidade de alguma delas pode impactar no seu processo produtivo?

3. Você reutiliza água em seu processo produtivo?

4. Qual o peso da água no processo produtivo?

5. Qual o peso da energia no processo produtivo?

6. Qual o impacto nos custos se eu fizer adequação no consumo de água e de energia nos processos produtivos?

7. Que tal começar a acompanhar esses valores?


[1] relatório Brundlant - Brundtland, Gro et al. (1987). Nosso Futuro Comum


Sobre a autora:

Denise Pereira Curi

Especialista em Estratégias Socioambientais na Era Digital





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